Como nossa pequena chegou.

Quando completei 39 semanas de gravidez, num domingo, comecei a achar que meu parto demoraria muito para acontecer. Ainda não sentia absolutamente nada: nenhum sinal de contração ou dor. Na quinta-feira seguinte, por volta das 11 horas da noite, com 39 semanas e 4 dias de gestação, eu senti um líquido escapar de mim, sem que eu pudesse segurar. Fui ao banheiro ver o que era e percebi que meu pijama estava molhado. Era um círculo bem pequeno de água, mas poderia ser a bolsa rompida. Voltei para a sala e meu marido estava conversando com a mãe dele pelo Skype, em viva-voz. Como minha sogra havia dito que gostaria de ser avisada só depois que a bebê nascesse, e não queria saber quando eu entrasse em trabalho de parto, fiquei sem ação, de pé na sala, em frente ao meu marido, esperando ele terminar a ligação e sem poder falar nada. Antes de terminar a ligação ele ainda me perguntou: “o que aconteceu, porque você está de pé?” E eu: “nada, nada”. Quando ele desligou eu contei o que tinha acontecido, meio descrente e desconfiada ao mesmo tempo, afinal eu achei que era muito pouca água pra ser a bolsa rompida. Ligamos para o hospital e disseram para ir até lá para ser examinada. Como em meu exame tinha apontado Streptococcus, precisaria ficar mais atenta caso a bolsa rompesse, pois havia necessidade de tomar antibiótico durante o trabalho de parto.

Pegamos as malas que já estavam prontas e fomos para a maternidade. Chegando lá fui examinada primeiro pela Hebamme, uma enfermeira-obstetra. Pelo exame de toque ela disse que acreditava ser alarme falso, mas devíamos esperar pelo exame da médica. Enquanto isso ficamos monitorando o coração da bebê e as contrações. Quando a médica chegou, assim que ela colocou o bico de pato, disse: é a bolsa mesmo, você não vai mais para casa hoje! Acho que dei um belo suspiro nessa hora, porque eu acreditava que a Letícia ia chegar tarde, perto das 42 semanas e eu nem tinha completado 40 semanas ainda! Em seguida o Mario foi até o carro buscar minhas malas. Logo me colocaram o soro para depois colocar a penicilina também. O marido foi para casa dormir e eu dormi já no hospital, esperando as contrações aparecerem. A Hebamme havia me oferecido um remédio para dormir que de início recusei, mas como ela disse que era importante dormir aquela noite, resolvi tomar. Dormi tranquila, mas não um sono pesado e pela primeira vez na gravidez toda eu senti cólica. As cólicas da noite eram levinhas e nada ritmadas. Logo pela manhã o Mario apareceu para ficar comigo. Tomei café da manhã e comecei a caminhar. Caminhei. Monitoraram batimentos do bebê e contração, e tudo tranquilo ainda. Caminhei mais... almocei... caminhei... monitorei... caminhei... e nada de contrações ritmadas. Deram umas bolinhas de homeopatia para tomar de meia em meia hora (acho que tomei umas 5 vezes), para ter contrações, e nada. Tentaram outro remédio homeopático diferente também para isso. Uma hora pareceu que vinham de 5 em 5 minutos, mas parece que regrediram. Como nos monitoramentos estava sempre tudo bem com a bebê e comigo, demoraram até o fim do dia para decidirem então induzir o parto. Lá pelas 6 horas da tarde a médica disse que eu poderia jantar tranquilamente e depois seguir para a sala de parto. Fiz isso: jantei e fui pra sala de parto. Meu marido estava sempre do meu lado. A sala de parto era muito grande e agradável, tinha banheira, aparelho de som para colocar música, cadeira para parto de cócoras, colchão, bola suíça (que aqui na Suíça chamam simplemente bola, hehe) e um pano pendurado no teto para brincar de Jane & Tarzan (na verdade até agora não sei para que serve). Depois de um tempo já na sala de parto e sem a penicilina na veia, me colocaram na ocitocina. Foi aí que a “diversão” começou. A ocitocina era dosada por um computador junto ao suporte do soro. Cada vez que a enfermeira aparecia para aumentar a dose eu queria sair correndo. Até certo ponto eu estava acreditando que seguraria a barra sem anestésicos, já que estava suportando bem as dores. Bom, começou a doer mais. A Hebamme ofereceu para eu entrar na banheira. Aceitei. Tirei a roupa e entrei na água com um aparelhinho muito modernoso e sem fio, para monitorar coração da bebê e contrações. A enfermeira me perguntou qual de três essências perfumadas eu queria pra por na água. Deu uma aliviada no comecinho, mas como estava bom demais pra ser verdade, aumentaram de novo a dose da ocitocina. Aí nem a banheira resolvia, e o cheiro da essência que eu escolhi já estava enjoando. Não aguentei e comecei a chorar. Meu marido diz que essa foi a única hora que ele ficou nervoso, porque eu chorava de dor e ele não podia fazer nada. Ele me incentivou a pedir peridural. Bom, pedi para ele chamar a enfermeira, que não estava na sala de parto nessa hora e dizer que eu tinha decidido pela anestesia. Nesse momento ela conversou comigo, me ofereceu se eu não queria um outro método anestésico antes da peridural e eu mais calma, num intervalo de contração, aceitei. Ela foi consultar a médica e enquanto isso, mais contração. Desisti e pedi de novo pro marido ir correndo atrás da enfermeira e falar que eu queria era peridural mesmo! Ok. Pediram para eu deitar (o que pra mim era péssimo, porque deitada a dor era pior) e o anestesista chegou. Fez todos os procedimentos e começou o alívio. Daí pra frente foi muito tranquilo. Contrações aumentando, eu toda dilatada, deu tempo até de fazer ligação para a família. Minha irmã nem acreditava que eu tava conversando com ela naquela hora. Daí pra frente não lembro as horas nem minutos, mas para mim pareceu muito rápido. A 1h05 da manhã do dia 7 de fevereiro a Letícia nasceu. Com 39 semanas e 6 dias de gestação. A expulsão foi tranquila e os segundos após ela parecem eternos! Primeiro a ansiedade para o primeiro choro e depois uma sensação inacreditável de que aquele bebê que estava na sua barriga agora está no seu colo!

Mais de 24 horas de trabalho de parto muito tranqüilo, assim como a gravidez. Não fizeram tricotomia nem lavagem intestinal, mas precisei de episiotomia, porque devo ter perdido um pouco da força com a anestesia, tanto que sentia bem pouco as contrações no final.

Logo que ela nasceu já foi pro meu colo. A sensação daquele momento, de ter no peito aquela bebê que estava na minha barriga todo esse tempo, já abrindo o olhos, tão pequena e tão grande ao mesmo tempo, é inacreditável. Parece que se está perdida no universo, flutuando em algum lugar sem gravidade.

Só depois de um bom tempo ela foi medida e pesada. O Mario ajudou o tempo todo, caminhando comigo pelo hospital, empurrando minha cabeça para fazer força, cortou o cordão umbilical e até deu uma mão para a médica na hora de costurar a episio, pegando algo no armário, já que a enfermeira não estava por perto nessa hora. A minha episio praticamente não doeu depois e cicatrizou muito rápido.

Depois do nascimento ficamos 5 dias no hospital, para aprender tudo o que era preciso. Tive uma orientação muito boa na maternidade e sequer tive tempo de ter dúvidas ou inseguranças, porque me respondiam antes mesmo de precisar perguntar.

A Letícia nasceu em Zollikon, Suíça, com 47 cm e 2930 gramas, dia 7 de fevereiro de 2009.

Leticia

Pequeñita linda, llegaste y nos has traido una alegria inmensa, no sólo a tus papitos tan chochos, como tambien a todos que te amamos desde el día del anuncio de tu venida.

Tu "TATA" desde este lejano e recondito país llamado Chile, está siempre atento a tus noticias, fotos, y novedades, looo para verte e tomarte en mis brazos y poder oir esta "Tagarela" con una sonrisa tan preciosa.

Mil besitos de tu Abuelito

El Tata

Escreva um comentário

Desea usar sua foto? - Inicie sua sessão ou Cadastre-se grátis »
Comentários a este artigo no RSS
Cerrar